O que é o Complexo Prates


“Agente tem que sair do sertão!
mas só se sai do sertão
tomando conta dele a dentro”
Guimarães Rosa
O Complexo Prates é o primeiro equipamento que reúne ações de Saúde Pública e Assistência Social no tratamento aos usuários de álcool e outras droga baseados na redução de danos.
Seu publico alvo é a população em situação de rua e vulnerabilidade social, no território do centro da cidade de São Paulo, integrando as ações dos diversos setores políticos:  Prefeitura de São Paulo, Estado de São Paulo e Governo Federal.
O Complexo traz um conceito ainda em construção, que é revelado dia a dia no trabalho e na dedicação que conta com o sucesso dos casos exitosos e na perspectiva dos diversos sujeitos profissionais dentro do equipamento. O Complexo é munido de um Centro de Acolhida para homens adultos, um Centro de Convivência para homens e mulheres, um Centro de Atenção Psicossocial III Álcool e Drogas – CAPS III AD, um Serviço de Acolhimento Institucional para Criança e Adolescente – SAICA, além da Assistência Média Ambulatorial 24 horas – AMA.
Sobre a ótica dos diversos serviços mencionados, se faz um desafio, articular entre esses vários setores para reproduzir na realidade da população atendida diariamente no espaço o que realmente temos por objetivo. O Complexo Prates preenche uma lacuna que ainda não se fechou no que se refere às políticas nacionais sobre drogas, entende-se políticas sociais  : 
Ações que tem como alvo certas categorias específicas da população, como trabalhadores, pessoas em situação de rua, crianças, desnutridos, certos tipos de doentes, através de programas criados na gestão governamental”²
(Faleiros, p.168)
Neste sentido, é do equipamento a responsabilidade de inovação nessa perspectiva, que foge da ação governamental de viés “Proibicionista”³, para realizar uma intervenção que reconheça para além da criminalização das drogas e dos sujeitos que dela fazem uso para uma visão que perceba o individuo inserido em um contexto muito mais amplo e dinâmico.
Por isso cabe aos usuários do serviço e a nós profissionais observarmos o nosso próprio discurso para que nossas falas, intervenções e ações, sejam balizadas pela análise da totalidade dos fatos.
Como por exemplo, pensar o que leva o sujeito a buscar o serviço que prestamos, necessitamos nos entender enquanto indivíduos que podem transformar essa realidade de acordo com a intervenção qualificada. O conceito do Complexo vai ao sentido de sua capacidade de criar espaços que exaltem o protagonismo, e a autonomia do individuo, espaços criados pelos profissionais, seja em um grupo, ou em um atendimento com técnicos Assistentes Sociais e Psicólogos, ou simplesmente em uma conversa, reafirmando que o sujeito que utiliza o espaço goza de um direito protegido constitucionalmente, que contradiz a falsa ideia do favor, da ajuda, da caridade, e da qualificação de valores moralizantes que ainda permeiam algumas ações profissionais, que menosprezam e não enxergam a fundo o fenômeno social da pessoa em situação de rua e do uso de drogas.



Bibliografia e Dicas de Leitura:

Rosa, G. João Guimarães Rosa Ficção Completa em dois volumes, v.I. Rio de Janeiro. Nova Aguilar, 1994, p.92.
Ver definição de “proibicionismo” em: Alessandro Baratta, “FUNDAMENTOS IDEOLÓGICOS DA ATUAL POLÍTICA                  CRIMINAL SOBRE DROGAS”, Rio de Janeiro, Ed. Relume Dumará, 1992, p 35 a 49.
FALEIROS, Vicente de Paula. O que é Política Social. São Paulo: Brasiliense, 2004. – Coleção Primeiros Passos, p. 168.

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